horizontal

Eu queria que fosse de aprender. Então, você me estendia a mão, lá do meu olho, que é onde você mora, e a gente deitava junto, de ver o mundo na horizontal dos apaixonados. Você me ensinava que é de rir, só de rir, que o de chorar é quando a paixão fica forte e dói até no olho, mas que é dor de prazer, de feliz. Você me ensinava tudo, porque você já é aprendido mais de amor, da horizontal dos apaixonados. Eu deitei só um pouquinho e foi sempre do seu lado. Eu sou de aprender ainda. Você já deixa a cama prontinha nos olhinhos da gente.
*
Daí eu sentei no colchão e fiquei te olhando. Você abria a boca - devia ser de bonito o sonho - e quase era uma conversinha no meio do sono. Fazia uma preguiça longuinha e puxava o edredom para o lado, guardando todo o calor só pra você, dentro do seu abraço. Eu ficava de espiar, sentada no colchão. Você, dormindo, era bem meu. Daí você abriu o olho, engoliu saliva e disse, rapidinho-rasteirinho, eu-te-amo-linda-linda. Eu pensei: sonhou-eu, sonhou-eu! A gente gosta de ser um sonho no nada do apaixonado que dorme.
*
Quando deita no olho, é de não dar mais sono, o amormeu.
Comments
4 commentsIsto não é um texto. É um abraço. Um abraço de manhã.
:-)
Você está tecendo sua mortalha ao longo dos dias?
Beijos
Berga já estava de ficar com saudade dos textos.
sonhou-eu é maravilhoso.
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