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26 February 2008

um baile

liliana porter - "blue eyes"

ao fundo: you really got a hold on me
Ela diz: "Se eu fosse uma menina no meio do baile, você me olharia?" Ele - mexendo os ombros: "Talvez". Ela leva a mão à boca, encosta o dedo indicador no lábio como se precisasse arrancar a pergunta de lá com as mãos: "Mas por que não é certeza?" Ele gira, prende a mão direita no bolso da calça: "Porque é diferente". Ela reforça o passo no refrão, levanta o queixo: "Diferente de quê?" Ele ensaia um passo para trás, dobra um tanto o joelho e volta com o passo para trás. Um passo. Ele não responde. Ansiosa, ela balança os ombros, feito estivesse encaixando os pensamentos.
Desdenha: "Diferente, diferente".

outra música: you never give me your money
"E eu? Você me olharia?" - ele, ajeitando a gola da camisa branca. Ela, no pensamento: "Ele fica tão bonito de camisa branca". Gira, levanta o cabelo. "Ia depender do dia." Ele sorri uma certeza: "Eu sabia". Ela, testa franzida, lábios secos: "Como sabia?" Ele, ainda a gola: "Você também ia dizer talvez".

por último: happiness is a warm gun
Ela encontra uma cadeira no salão. Ajeita o broche do vestido (tem vocação para minúcias). Ele, a camisa e o sorriso. "Eu queria sentir sempre essa felicidade", ela. "Essa de entender alguém, de intensidade, de euforia serena." Ele, ainda com os grandes dentes e os olhos claros: "Eu te entendo. Desse jeito de entender". Ela: "Eu sei que já são quase duas, mas, se eu colocar um filme, você fica?"


*

Pela companhia no passo de dança,
de noite no meu baile inventado.
Por isso, Caco.




06 February 2008

fado

fato

Me encosto na saudade.
Finjo que é lá para me esconder.
O que eu crio é repetição.
Ontem eu já fui hoje.
Meu amanhã não desabrocha.
O fado é meu fato disléxico.
Não tem palavra de dizer isso.
É azul o que eu sinto.
Opaco é lugar onde eu vivo.
Não tem gênero a minha dor.
Um lindo me desinfeta.
Cheira forte a minha alma.