pensamentinho de agora-já

de repente, eu pensei: como é que os casais se dizem "eu te amo"? não o "como" referente à construção da frase. mas o "como" da capacidade, habilidade, aptidão para. foi assim muito rápido que me veio esse pensamento: vi um "eu te amo" escrito por uma moça para um moço e, num nó, eu percebi que eu não sei "como".
o "como" da habilidade. talvez porque não seja uma habilidade. mas será que não? será que não se trata de um aprendizado e que, de fato, é preciso trabalhar e desenvolver a habilidade de dizer? porque eu ainda acredito que, quando se diz, quando uma moça diz para um moço, ela sente e tem a habilidade para dizer o que sente. porque não é preciso se perguntar se sente ou não. o "eu te amo" é, tem de ser, precisa, carece de nascer antes da razão.
antes de o "como".
e eu gostava de dizer. quando dizia, era como se ninguém mais tivesse dito, desde romeu e julieta, porque o meu amor era - e é - tão inédito em mim que precisava ser trágico, tenso, preciso até mesmo no descompasso. e, agora, tem o silêncio. silêncio que eu gosto, que é de estar dentro, tensa, trágica, num amor ainda inédito que é o amor pelo silêncio. mas também me preocupa porque eu fico pensando que se eu não digo é porque não sinto e porque estou ficando inábil pra dizer e talvez inábil pra sentir e talvez tenha desaprendido, que amar não é igual a andar de bicicleta. a propósito, a minha sempre teve rodinhas. eu nunca alcancei o chão. era baixinha demais.
é isso: meu "eu te amo" me ultrapassa de altura e daí eu caio e ralo o joelho e, jesus cristo, é melhor ficar em silêncio antes que venha a curva e eu, ai!, ganhe mais uma cicatriz.
