Ela escalava sua nuca. Ele a segurava pela cintura. Desafiavam, os dois, o que se usa chamar distância. A paixão não deixa espaços. No supermercado, ela subia pelo pescoço dele e, ali, na gôndola de enlatados, antecipavam a sesta do almoço de domingo. Do outro lado, uma mãe gritava o filho, deitado no chão, como quem sabe dizer eu te amo. O casal continuava lá, testando as medidas.
Há algo de arquitetura na paixão. A língua se encaixa em qualquer vãozinho. O que há de concreto mantém-se aquecido quando dentro, como um poema enterrado. A curva das costas de repente é um descanso para os braços depois da pesquisa por outros cantos.
Agora, temo que abandonem o amor na gôndola dos enlatados. Os corpos já não tão próximos, ela oferece as mãos e lança deliciosamente o pescoço para trás numa gargalhada. Ele a retoma para si, feito quem endossa. Enfia o nariz na selva castanha dela. De novo, são apaixonados na gôndola. Antecipam a sesta do almoço de domingo.
Do outro lado, a mãe ainda grita o filho - esparramado, deitado. Sabem, os dois, dizer eu te amo. O casal na gôndola lambe o contrato da paixão. Ele ainda a segura pela cintura. Ela escala sua nuca. Esperam aprender a deitar no chão.
é amor de mais ou de menos?
em vc demais.
no seu corpo parece.
eu gz na sua frase.