come rain or come shine

você tinha razão: não era ele, era a possibilidade. e eu só consigo pensar no b.b. king perguntando "won't that be fine?". e tem esse copo de vinho vazio no chão da sala, a luminária acesa no canto e meu cachecol preto. tudo rindo da possibilidade. e fazia tempo que eu não chorava. não por isso. me deu essa vontade de escancarar a janela. eu já tinha esquecido das minhas costas no chão de madeira da sala. e tem esse sofá vermelho que eu tinha enchido com as minhas pernas e o seu braço esquecido na minha cintura.
daí eu tento olhar a lua e ela tá escondida no prédio e, puta que pariu, eu nunca soube nada de uísque e de tomar um porre sem escrachar no riso. era a possibilidade. e esse copo vazio de vinho me olhando, feito quem diz: "ok, você de volta". nada enche o sofá vermelho. nem que eu tivesse um cigarro de metro ia esconder essa angústia. em algum lugar, a vida deve estar rindo.
talvez eu nunca conte que eu já tinha te deitado no sofá inteiro. e talvez nunca seja o sábado à tarde de você esquecer o braço na minha cintura. é como se o b.b. king estivesse gritando só de sacanagem porque sabe que eu jamais teria feito a pergunta. e esse celular que não pára de tocar. nunca foi útil mesmo, nunca tocou pra mim. fica essa coisa idiota de olhar pra ele de soslaio e ele, aqui: "nada de possibilidade".
você tinha razão: não era ele. era o sábado à tarde, dois copos, pernas e braços no sofá vermelho com essa guitarra enchendo a sala. eu já nem consigo chorar. vou lembrar o chão de madeira. eu, deitada, voltei.




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